ECA Digital exige que plataformas participem da proteção de crianças e adolescentes

Lei amplia obrigações de redes sociais, jogos e aplicativos, com medidas para reduzir contatos perigosos, exploração comercial e uso compulsivo

Uma criança de cabelos castanhos, vestindo camiseta azul, segura um celular próximo ao rosto e digita com os polegares. A tela mostra uma conversa com balões de mensagens e teclado virtual. No topo, lê-se: “Quem protege seu filho enquanto ele está online?”

Proteger crianças e adolescentes na internet exige mais do que orientar as famílias a acompanhar o uso do celular. As empresas que desenvolvem redes sociais, jogos e aplicativos também precisam oferecer ambientes seguros. Essa é uma das principais mudanças trazidas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, em vigor no Brasil desde 17 de março de 2026.

A Lei nº 15.211/2025 complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente com regras específicas para produtos e serviços digitais direcionados ao público infantojuvenil ou de acesso provável por ele. A legislação alcança também empresas estrangeiras que oferecem esses serviços no país.

Segurança desde a criação do serviço

A proteção deve fazer parte do desenvolvimento das plataformas. A lei exige configurações de privacidade mais protetivas por padrão e medidas para prevenir exposição a conteúdos prejudiciais, assédio e exploração.

Também determina mudanças em funcionalidades que possam estimular o uso compulsivo. Reprodução automática, notificações e recompensas pelo tempo de permanência estão entre os recursos considerados nas regras de supervisão parental.

Mais ferramentas para pais e responsáveis

As empresas devem disponibilizar ferramentas acessíveis e fáceis de utilizar para acompanhar o tempo de uso, restringir compras, gerenciar a privacidade e limitar a comunicação com usuários não autorizados.

A redação da lei prevê a vinculação de contas de crianças e adolescentes de até 16 anos à conta de um responsável legal. Essa medida não substitui a orientação familiar, mas oferece instrumentos para acompanhar a experiência digital dos filhos.

Verificação de idade com proteção de dados

Nos casos previstos pela legislação, como o acesso a conteúdos e serviços proibidos para menores de 18 anos, perguntar a idade do usuário não é suficiente. Os fornecedores precisam adotar mecanismos confiáveis de verificação.

A lei não impõe uma única tecnologia para todos os serviços. A escolha dos mecanismos deve observar os requisitos aplicáveis, e os dados coletados para verificar a idade só podem ser utilizados para essa finalidade.

Limites à exploração comercial

O ECA Digital proíbe o uso de perfis comportamentais para direcionar publicidade comercial a crianças e adolescentes. Isso impede que informações sobre hábitos e interesses sejam utilizadas para personalizar anúncios destinados a esse público.

Também veda a monetização e o impulsionamento de conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva. Nos jogos abrangidos pela lei, são proibidas as caixas de recompensa pagas, conhecidas como loot boxes.

Denúncias precisam receber resposta

As plataformas devem oferecer canais para comunicar violações. Conteúdos de aparente exploração, abuso sexual, sequestro e aliciamento detectados nos serviços estão sujeitos a obrigações de remoção e comunicação às autoridades.

Outras situações, como bullying e incentivo à automutilação, também integram os deveres de prevenção e proteção, com procedimentos de retirada nas hipóteses legais. Cada caso deve ser tratado conforme a obrigação aplicável.

A fiscalização cabe à ANPD, e o descumprimento pode resultar em penalidades. O desafio é transformar as exigências legais em proteção efetiva: ferramentas que funcionem, denúncias que recebam resposta e serviços que respeitem os direitos de crianças e adolescentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ver mais:

Meta lança o Muse e apresenta aparelho de IA: o que faz e quais cuidados exige
Meta lança o Muse e apresenta aparelho de IA: o que faz e quais cuidados exige

Meta lança o Muse e apresenta aparelho de IA: o que faz e quais cuidados exige

Comradio ONG 6 de outubro de 2026 Sem categoria 0

Apresentado em 23 de setembro de 2026, o Muse Charm permite conversar com inteligência artificial em um dispositivo de bolso e amplia o debate sobre privacidade e proteção de crianças e adolescentes. A Meta apresentou o Muse Charm em 23 de setembro de 2026, durante

Ver mais
ONG Comradio propõe que ANPD fiscalize barreiras de acessibilidade na proteção de crianças na internet
ONG Comradio propõe que ANPD fiscalize barreiras de acessibilidade na proteção de crianças na internet

ONG Comradio propõe que ANPD fiscalize barreiras de acessibilidade na proteção de crianças na internet

Comradio ONG 5 de outubro de 2026 Sem categoria 0

Contribuição à consulta pública defende que ferramentas de segurança, denúncia e supervisão parental funcionem também para pessoas com deficiência. Um pai ou uma mãe com deficiência visual consegue configurar as ferramentas de segurança que protegem seu filho na internet? Uma criança cega consegue denunciar uma

Ver mais
Se o eleitorado com deficiência pode decidir uma eleição, por que quase nunca chega ao poder?
Se o eleitorado com deficiência pode decidir uma eleição, por que quase nunca chega ao poder?

Se o eleitorado com deficiência pode decidir uma eleição, por que quase nunca chega ao poder?

Comradio ONG 27 de julho de 2026 Sem categoria 0

Pessoas com deficiência representam uma parcela expressiva da população brasileira, mas continuam sub-representadas nas câmaras municipais, assembleias legislativas, direções partidárias e candidaturas com condições reais de vitória Nas eleições, pessoas com deficiência aparecem nas filas de votação, nas atividades de campanha, nas redes sociais, nos

Ver mais
Quando a verdade não é acessível, a mentira ganha espaço nas eleições do Piauí
Quando a verdade não é acessível, a mentira ganha espaço nas eleições do Piauí

Quando a verdade não é acessível, a mentira ganha espaço nas eleições do Piauí

Comradio ONG 26 de julho de 2026 Sem categoria 0

Posts sem descrição, vídeos sem Libras, debates sem audiodescrição e checagens inacessíveis impedem milhares de pessoas com deficiência de comparar propostas, reconhecer conteúdos falsos e exercer o voto informad Uma informação falsa começa a circular nas redes sociais afirmando que determinado direito eleitoral foi suspenso.

Ver mais
A cada 12 piauienses com deficiência, apenas um aparece no cadastro eleitoral
A cada 12 piauienses com deficiência, apenas um aparece no cadastro eleitoral

A cada 12 piauienses com deficiência, apenas um aparece no cadastro eleitoral

Comradio ONG 25 de julho de 2026 Sem categoria 0

Subnotificação faz com que políticas de transporte, seções acessíveis e atendimento eleitoral sejam planejadas para uma parcela mínima das pessoas que realmente enfrentam barreiras para votar O Piauí possui aproximadamente 297,7 mil pessoas com deficiência, o equivalente a 9,3% de sua população. No entanto, nas

Ver mais
Cem pontos de alerta: quem está protegendo as crianças nas rodovias do Piauí?
Cem pontos de alerta: quem está protegendo as crianças nas rodovias do Piauí?

Cem pontos de alerta: quem está protegendo as crianças nas rodovias do Piauí?

Comradio ONG 11 de julho de 2026 Sem categoria 0

Rodovias movimentam pessoas, mercadorias e boa parte da economia. Ao mesmo tempo, atravessam municípios onde a rede de proteção enfrenta falta de estrutura, equipes reduzidas e dificuldade para responder com a rapidez que situações de violência exigem. No Piauí, 100 pontos localizados ao longo das

Ver mais

Accessibility Toolbar